Monthly Archives: December 2011

The woman clothed in light and the great final fright

Clothed with light and nothing more;

the lady’s ice-cold situation at the morgue…

.

With her last whisper, she had voiced her fright of dying and fading away,

and every single soul was captured in her contagious dismay.

There was panic beyond belief,

each and every heart was emptied of all but grief.

Desperation filled the gray-colored institution

as yelled inside the observers’ minds the scream of absolution:

“Our time is due”

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Insufficiency

Does writing it make it less true? If so, then who deems right the act of disdaining the same words that the ink and the paper make visible, when they’re made audible by the seldom used vocal cords of a writer?

For a scribbler like myself, the fact that I translate the feelings I voice into written things is the most substantial proof that they are true. Writers write, my dear! That’s what we do, and we do it better than any other kind. If my simple declarations don’t suffice… then I have only these heartful, underestimated words to offer. Oh, but I hope they do… I really do.

Impressions

I leave my imprisonment, but the horizon is a black sunset.

What is there to cherish that I have not yet learned from my own dreams?

Are dark and gray the only truths, as it sure seems?

A felon I am and unforgivable are my sins:

I have not changed, I have not embraced the puberty of this world.

As though through cleverness, I have been bound to a distorted swirl

while this place grew into shapes and impressions I could not grasp.

But if upon me a craze is bestowed, and with my thoughts I loose my clasp,

I shall damn this bloody head, and not my battered heart!

Espantalho (Scarecrow: translation)

Quando ansiava por trilhar teus caminhos,

tentavas perfurar-me com tua frieza;

Quando orgulho por entre os dedos me escapava,

me roubavas de estima e de proeza;

Quando ao pavimento ia aos tropeços,

tinhas desdém e repúdio à minha fraqueza.

E agora que revigoro-me com o brilho do orvalho,

por que impedes meu viandar, sr. Espantalho?

Abstinência

Contemplava os olhos castanhos do anjo de asas douradas;

ávaro, abstinha o mundo daquela beleza imaculada.

Roubava-a, pois a imensidão de sua ternura me dominava…

Ondeia até mim, serpeia sua mágica incandescência!

Liberta-me do suplício de desejar-te sem em ti pôr as mãos!

Ilumina este homem dominado pelo caos de tua ausência!

Nomeie das marcas em mim deixadas pelas frestas e vãos

Aquela única capaz de extinguir o açoite da distância…

Por debaixo do véu das memórias

Ela me fitava; parecia perscrutar o estado patológico de nossa conexão, revelado involuntariamente pela expressão em meu rosto. Eu retribuía o olhar, tentando dizer àquelas pérolas  negras que meu coração só pulsara até ali porque sabia que esse momento chegaria. Era o  ápice da mudança à qual minha exposição às ideias e sentimentos com os quais ela me envolvera proporcionava.

Sua mão tocava a minha suavemente, como se ela temesse que a eletricidade com que nos olhávamos pudesse transmitir-se a um estado palpável, por meio do contato físico. Sem me preocupar com o perigo ali existente, trouxe-a para mais perto de mim, e sem diminuir a força com que  apertava a sua mão, disse-lhe que era chegada a hora. Sorrindo, ela sussurrou as palavras que visitariam meus sonhos e reflexões, durante os anos que se seguiram:

“Além do que se pode sentir pelo toque ou pelo olhar, existe um mundo completamente diferente. Te ensinei o caminho  para a porta dessa dimensão maravilhosa durante todo o tempo que passamos juntos; agora é a hora de lhe entregar a chave, para que esse mundo se torne seu, definitivamente. Te escolhi para isso, porque sei que só você é capaz de entender,  e o tempo comprovou minhas convicções. Te entrego aqui tudo o que sou, tudo o que quero que seja, tudo o que seremos juntos.”

Senti o sal, senti o ferro, senti sua alma se fundindo à minha; senti suas dores mais profundas, seus desejos escondidos, sua voluptuosidade proibida; senti a ela e a mim mesmo. E ela sempre a sorrir, me encorajando a despojar a escuridão daquela terra encantadora, tomando posse do extramundo. E tudo mudou; tudo se iluminou de repente e a compreensão se mostrou tão simples que o próprio mundo visível se tornou banalmente complicado.

Naquele dia, eu adentrei as planícies do mundo experimental que ela me ensinara; construímos um caminho, um meio que seria para sempre a razão pela qual existir era preciso. A partir dali, tornamo-nos uma constelação de duas estrelas.

E assim foi guardada a alva memória que o tempo não era capaz de apagar.

Frostbite plus the fire of my heart

Frostbite comes from the desire one has of mending broken things

like the purity of one single pot of gray ashes;

like the unscathed hand of the mademoiselle;

or even the heart of the ever-faithful poet.

If so, then I am the cauldron fire;

then I am the sparks that lick the pyre.

For no foul deserves a man’s flexing

and no end should be that much perplexing.

 

Inopinável

Eu sentia um ceifar invisível,

uma estocada que perfurava a alma;

Era uma tristeza que causava desnível

entre o que é real e o que acalma.

.

Das póstumas palavras nos dias de paz,

escritas para os  olhos da dama bela,

restava apenas o verbete perspicaz

que encobria o ódio àquela donzela

.

Eu sentia a brisa do abismo,

e sabia que o suplício não iria morrer;

e o que eu mesmo relatava com cinismo,

era que só o irreal me traria o esquecer.

.

Como se os pilares do mundo o fizessem

que abaixo viesse o céu estrelado,

soçobrava em mim o receio das dores que crescem,

me fazendo a moça chamar assustado.

.

Disse a ela então, inseguro do concreto:

“Há óbices aos quais se pode afastar;

o que eu temo é a abastança do exceto:

o infortúnio de ir e não mais voltar.”