Monthly Archives: February 2012

Ciano

E então, de repente, levaste-me todas elas,

todos os escárnios e todas as mazelas

que soavam estridentes em meus ouvidos obstinados.

Levaste a agonia do poente dos meus prados,

onde o amor era a finda lenda dos trovadores

e onde diariamente sentiam os dissidentes suas dores.

No soslaio intermitente com que encaraste minha tristeza,

calculaste com perícia afiada toda a minha fraqueza.

Trajada de azul – e – negro, envolta em esplendor,

eliminaste as desse rotineiro perdedor.

Ao dizer que me amava, que me detinha como teu,

afagaste a poesia que o tempo interrompeu.

Teus sorrisos dançaram uma valsa iluminada,

fulgiram constelações nos seus olhos de esmeralda;

Nas curvas cálidas de teu rosto risonho

vi, no amor, realizado o meu maior sonho.

.

Perdoe-me se por vezes faço do silêncio meu tirano,

quando espantam-me as cores que roubaste do Outono.

É que de mim um êxtase se apossa ao te olhar,

pois sei que, enfim, a eternidade me deu a quem amar.

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Impressionismo e a beleza galgante (EN)

I feel from time to time a silence that places itself upon my integrity, making me cease every noise and every action. I halt and I behold my surroundings, the horizon hacked by blue and gray and the skyscrapers looking me down from high above. I think, in the impression of an artist, about the value of a second of light. “What if this isn’t just expression? Who knows if an entire planet’s solitude isn’t just an amalgamation of incessant rapid brushstrokes? What if the lack of elaboration and complexity isn’t just a privilege that originated from the beauty that fades through the sands of time?”

I stare at the hushed bystanders; I acknowledge their feelingless masks; I gaze at the curves on their melancholic faces. And I put myself in front of all this movement, like a doubter that tries to express his non-understanding before something incommensurable. “What is this? Who are they, these stalkers of unchangeable faces? Why don’t they simply stop walking and start observing the path drawn by their feet?”

The silence of the soul is like a room full of windows, where time is slowed down. I feel the sadness of a thousand cold bodies on the ground, competently showing themselves as dignified of beauty as the dawn of a fortunate radiant being. I find myself composing with this mellow wave of invisible hormones impressionist words. “I, truly, can see the beauty of the world, and am proud of that ability.” For he who sees the magnificent beauty of every shiny face and every surviving green thing in a toxic metropolis isn’t one who considers himself knowledgeable in many forms of beauty, but one who maintains his heart free of voluntary enclosures.

Beauty is everywhere.

Impressionismo e a beleza galgante (PT)

Ás vezes um silêncio se abate sobre a minha integridade, me fazendo cessar qualquer ruído e qualquer ação. Eu paro e observo o que me rodeia, o horizonte cortado de azul e cinza e os arranha-céus impassíveis que me olham lá de cima. Eu penso na impressão de um artista, no valor de um segundo de luz. “Quem sabe isso não é só expressão? E se a solidão de um planeta inteiro não for apenas um amalgamado de pinceladas rápidas e incessantes? E se a falta de elaboração e de complexidade não for só uma sábia regalia oriunda da beleza que escapa por entre as areias do tempo?”

Eu olho os apressados transeuntes; eu percebo suas máscaras sem qualquer demonstrado sentimento; eu encaro as curvas de seus rostos melancólicos. E eu me ponho em frente a todo esse movimento, como um indagador que tentar expressar seu desentendimento diante de algo incomensurável. “O que é isso? Quem são eles, esses espreitadores de rostos imutáveis? Por que simplesmente não param de caminhar e passam a olhar com mais atenção a trilha que tecem os seus pés?”

O silêncio da alma é como um cômodo coberto de janelas, onde o tempo se demora… eu sinto a tristeza de mil corpos frios no chão, competentemente se mostrando tão dignos de beleza quanto a aurora de um ser radiante e bem-aventurado. Eu me pego, então, compondo com essa triste onda de hormônios invisíveis palavras impressionistas. “Eu, sim, vejo a beleza do mundo e tenho orgulho dessa habilidade.” Pois quem vê a expressão magnífica de cada rosto iluminado e de cada verde que ainda sobrevive na metrópole tóxica não é aquele que se apresenta como conhecedor de várias coisas belas, mas sim o que mantém seu coração livre dos cárceres voluntários.

A beleza está em todo lugar.

Hard time using cheek muscles

You’re thinking “solace”

but you babble like barbarians raid

You want to whisper malice

but you flatter with sheer naïveté

Your face is scarred

but you’re proud of all that struggling…

In trying to make known your knowledge, you sound pedantic

and in avoiding what you can’t, you become frantic

In sweetness, liar skin

In scowling, to devils akin

How so, do you figure, that after all this time you will succeed

in trying to profess how good a heart you carry ?