Monthly Archives: November 2012

The symphony of Becoming

Trumpets soared through everything I felt was real

Skies ignited in red what I couldn’t squeal

Harps, and something like a choir of voices I never believed were human

And the Earth trembled, and the birds fled, and hounds looked in the direction of wherever it came from –

The inner thought amidst an ever-numbing echo of pleasure

There, echo atop new wave of exhilarating echo schemed to transform what was life until then –

A mere passing coexistence with the Truth.

And it was worth coexisting with what now lies beheld by all who wish to Feel more than they ever thought was possible.

Thus then changed the World.

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1,5X m

Sua visão era a de um expectador por detrás dos óculos

Janelas enormes, e além grandes exibições, exposições, murais, maquetes

Seres humanos se locomovendo apressados, bufando, babando espumas

Pisadas fortes, alguns ternos, várias cabeças calvas sobre pescoços gordos

Meninas tolas e burras, e seus opostos, suínos revolvidos na lama

Até os próprios edifícios exalavam cansaço e perda.

Não havia memória, não havia reconhecimento, não ousavam sorrisos.

Assim ele os via, dentro da caixa dos óculos redondos,

A um metro e cinquenta e poucos do chão.

 

Minha versão da dialética

“É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste…”

Dialética – Vinicius de Moraes

 

 

 

Aflita, a moça que não se importava chorou

Pediu a Deus que a livrasse do mal e se entregou ao álcool

Versou trêmula na caderneta de bolso o grão de melancolia que conseguia expor

E acomodou-se ao pranto – e retirou dele o sustento

Bandeiras

A primeira armada trazia no estandarte uma imagem;

À frente da segunda, erguia-se orgulhosa uma marca.

Marchavam os restantes à sombra de um nome

E nada mais soçobrou no vão de sua extremidade.

Ótica

Ela me viu através das lentes e me perguntou quem eu era

“Mas você já me conhece!”

…Acho que conheço mais a sua imagem nessa tela

Eu te vejo sorrir de melancolia, gargalhar de desespero

E penso nessas lentes como um espelho.

Agora, no meio do depois alongado sobre um tempo fugidio,

Vejo a têmpora adormecida, o olhar entumecido…

Mimetismo breve e sucinto, tão sincero mensageiro.

Eu lembro agora do que achei que não sabia,

Eu penso que embora a tivesse em demasia

Não era a perspicácia a virtude conspiratória;

Era ela, era a hora, a cena que me dissociava

De toda austeridade com que fugia da verdade.

Metálica

(O que é a nostalgia senão o amor ao eu que já não vive?)

À luz que perfurava seu corpo de cobre morno

Eu me iludia de cavar naquela síntese o seu leito.

Com dedos longos, finos e afiados me afagava a vergonha

Derrotado, eu me detinha aos pés da noiva metálica:

Ouro ondulava pelos ombros, descia em cascatas, pilares pelo cós

E era prata aquela substância alucinógena dos seus olhos

Meu medo a conferia dentes e lábios sentinelas

Nos sorrisos dela… sem trégua, míngua insípida de claves e alforjes

Sagaz estrela, singela em cada ímpeto, concreta em seu desejo

Ainda que retinindo uma irrisória, peregrina fadiga de abandono

Abono… e eu a ponderar meus atos! e eu a pensar em futuro!

Aí anéis, alaúdes, açúcares, bandolins, ternura e uma noite impensável

Um rio de lençóis ferventes, arranhões de peixes, consciência nula

Puxões, espetos, pinças, vociferações, canais estreitos se estreitando…

Restritos. A nós, os navegantes de memoriais conjuntos,

Atores representados na união de definições imprecisas:

Ela – fera de carne suave, gritante menina impura e sem véu

Eu – multidão de membros contorcidos, anestesiados e lânguidos

E ali mesmo, na hora passional dos perfumes e efervescências

Eis que turva se atrevia minha mente nublada, culpada e calada

Cantando em versos livres da brancura e da pureza em si sustentada

“Dama minha do passado, paixão de etérea carnificina

Eu te amo por ser imutável, por não ter credo nem sina

Eu te quero por ser sempre inerte, numa ampola sensível

E desejo-te como uma peste se faz logo divisível

Crê, alva, na ternura dos atos não obtidos

Mas esqueça-te que hoje os ponho em contos lidos

Mulher perfeita, mulher de outrora, cônjuge da sístole remota

Faço-te minha como a quero, faço-te nada como a amo

E amo-te novamente, sempre em quite à minha cota

E sinto-a grave, quando assim vê que a clamo”

E ia, e vinha, e detinha-se no sal que conjurava o corpo em seu delírio

E em mim depositava as horas, as faces, as mesmas vãs sextilhas.

Rainha, mulher que não definha! Eu a amo por ser somente minha

Além das outras, das tantas, das roseiras que deram-se findas.