Monthly Archives: February 2013

Simples

 

Quando a serenidade cedeu ao pranto, entendi melhor Vinicius.

Se o pranto era silencioso, eu lia no segredo de minhas melhores lembranças, acalentado por cada despedida momentânea e fria.

E se ele atravessava a quietude com palavras simples e perturbadas, eu o procurava na verdade, na ternura e na simplicidade.

Mas se o pranto era mais que triste e doloroso e se demandasse alguém com que dividir meus erros,

Aí então só mesmo a mesinha baixa, assistida pela coleção de bebidas fermentadas, com a companhia de mais alguma coisa do Poetinha

E, é claro, a boa e velha água de beber!

Whence

Há um recomeço branco e melancólico

Uma tristeza que se desfia numa dor ciente

Há a honraria máxima do homem retilíneo

que se excrementa em um viver amargurado

O busto imortal, rocha que envergonha prantos e reclames

há na miragem ultramarina, a brisa que insultam com não-vida

Há nas palavras de um mestre incompreensível

o sabor libente de viver no infinito

ou o saber relutante de morrer em desespero

caso haja ali também algum início de conhecimento

Haverá, quem sabe, predileção pelo absurdo

mas nunca houve, já sabemos, algo a mais que fel e sugo.