Monthly Archives: March 2013

Plasma draught of a crawler’s victim

Wavy coral-like, pinning down the ever-so-light feeling that struck

Faintly slithers, hence the foam and sweetless muck

Ever the venom-bringer, boasting fright embedded.

Calmly going, to and fro, in a glare as polite

As to cause envy in those that don’t so slide

.

Chiming, ear-to-split, rhyming sound of the earth

Akin to moss and flocks of fleeting starlings

A song to merry make all things of simple truth

Gaming father’s soul away to son, as the hither engagement.

Indeed, provoking names out of wobbly sighs

.

Heather, bush or leather, corner or side,

None away to run to and safe be from the hissing of hers,

Poison of the serpent of mist, or reptile of steel.

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Eritropoetina

O fato entumesce e a roda gira sóbria

Os sons rodopiam e o sangue soa forte

O tempo cresce, a noite amadurece

E se desfazem as preces mais molhadas

.

Ancorar o sistêmico som do amor

É dizer a ela que a dor é bastante

E que o mundo é triste e imparcial.

O pranto é preciso, a flora, imaginária

E nós só erramos de fuso no Equador.

.

A valsa insiste, os pés ecoam;

O choro, a pressa, os dois se foram

Mas a ira não perdoa

Mas a chaga não se ilude

.

“Amar não é o bastante”,

A memória traz as cartas:

O véu, o quarto, o anel e a vida

E aumentou o predomínio

O Sol, a sina, o velho monstro

Que pensa, e busca, e vai e fica

Quando não dá mais pra ficar.

.

Não somos atos, somos contos

Daqueles antigos que ainda não estão prontos,

E o enredo, a cena, o palco luminoso

É a terra, a hora, a marca, o morro

O sonho de voltar e tudo ser novo

.

Delgada, a coragem se afeiçoa à sorte

E o sapato se move sozinho, coberto de barro

Como se o céu fosse o limite.

Antologia de sonhos

Empunhava o humor veemente

A fim de alterar compassos

Teimava e não conseguia

.

Pudera a fugaz maneira

Avulsa, interna, fria e rija,

Ser o que deveria

.

De volta da represália

O coração, mantinha ardido

Temendo a cumplicidade

.

E ria de achar-se o mesmo,

o tino frágil, em si etílico,

Endividando a sanidade

.

Os sonhos que consistiam

No simples se ter em vista

Perderam o que mais valia

.

Será que ao cumprir dos dias

Se fora a tenaz centelha

Ao pô-los, todos, tolos

Em uma só harmonia?

Memória adrenérgica

Causas do descaso, cascatas mergulhando em mel-destino
Louras estrelas chovendo, fogos e chagas caindo…
Uma coragem promovida, em triunfo, a plateia tesa.
Paro e penso: como pode o doce transpor o espaço entre dois seres?
Como pode a canção sem cordas, sem sopro, sem voz?
É você! ser que exala inexplicações às minhas semicertezas!
Como é que você pode ser tão cruelmente viva num momento passageiro?
A qual eternidade privilegiada pertence, que a loucura a acompanha?

Marina

Era sempre a quase-sábia menina altiva
Soava fidalga quando em danças vespertinas,
Quase sempre quase-sóbria, cantarolava
Despertanto nuances de poetiza infrutiva.
Nas noites comuns, se ancorava e sorria
Um lindo sorriso escondido, o sorriso-Marina.
Quase louca, a arisca Marina fugia
Ébria e insensata, amando o nada que pensava emanar…
Como ignorava Marina o meu quase-entender!
Como fitava-me, aflita, quase-inquirindo se eu de fato sabia…
E engolia, quase melancólica, palavras que a entregariam.
Era a Marina que não entendia
Se era infância ou angústia ou sangria
O motivo pelo qual escolhera
O seu temor quase intuitivo.
Mas como era meiga a moça quase-sozinha que me encantava!
Como nos primeiros versos infantis me adorava!
A mesma Marina na embriaguez sincera,
A quase-arrependida que queria viver em paz
E quase nunca conseguia.
A mesma que quase chorava
A mesma que quase esquecia
A mesma menina pura, mesmo em torpores e chagas
Aquela aventura querida, querendo ser desvendada
A mesma menina pura
A derradeira quase-amada.

Resmungo – tradução

De psique concreta e aproveitável, existem apenas aqueles contos apagados e inexatos. Se ao menos uma vez alguém pudesse encontrar o conhecimento do descanso, da paz líquida que se encontra adormecido dentro de sua própria acomodação, ele consideraria todo o Impensável. Assim como o fizeram os melhores de nós.

Gangrena

Vi-a morrer ali, insensata, titubeando e despejando balbúrdias horrorosas de ingratidão à vida. Vi-a penar, amassada, dolorosa, extremamente amarga. Não via um banho há meses, em seu estado cadavérico um agravante sutil à visão funesta. Dava nojo vê-la assim, perdida nos murmúrios dispensáveis da cidade, secretando mórbidos fluidos malcheirosos. Sofria dolorosamente, agonizando até o fim.

Eu não fazia menção sequer a um hipotético esquecimento daquela cena por minha parte, era impossível. Apenas imaginei as centenas como ela. Pensei nas versões sem detalhes, versões-família do acontecido que seriam contadas no horário nobre por rostos profissionais, insensíveis; nas sucintas, apressadas e grossas narradas pelos jornalistas de rádio; pensei nas versões que seriam relatadas de pessoa em pessoa, seguidas de chavões e insultos repulsivos a uma multitude de pessoas de quem esses locutores e locutários nunca ouviram falar; e penso com desgosto e vergonha na cereja do bolo dos noticiários: Balanço Geral, qualquer que seja o nome dessa merda. Família incinerada e, depois, a nova tecpix(“os x primeiros a ligar ganham também uma passagem de ônibus para o Inferno!”).

Eu pensei nela, suja e indigente. Se o relato desaparecesse, ela não passaria de custo adicional, mais um fardo ao dinheiro público. Não existiria passagem sua pela vida de qualquer pessoa. Não sei quantos que chegaram a conhecê-la sabiam seu nome, nem quantos dos presentes certamente irão esquecê-la na primeira oportunidade, como uma tragédia vista no supracitado projeto de tortura televisiva. Será que algum membro recluso da família obtusa gastaria seu precioso tempo para lembrar do nome?

A reflexão chega a não ser consciente. Uma cena assim faz pensar no resto das coisas que empurramos pro lado, a fim de ganhar mais tempo. Ensinam aos nossos filhos na escola que somos a mesma coisa, todos e tudo, desde os vermes que comerão os restos da mulher morta até os fios de cabelo de algum jogador de futebol que ganha milhões por ser excepcionalmente imbecil, e que o fim, independente de crença ou credo ou qualquer coisa, é o mesmo para todas as coisas, na eterna reciclagem de tudo o que existe. Ainda assim, os vemos crescer como nós e não temos a mínima decência de tentar torná-los melhores. Alguns de nós, os menos ajuizados, chegam a sentir orgulho disso. Eles decoram o quanto ganha um engenheiro recém-formado, mas não compreendem o valor de alguém que nasce com o dom da poesia. Nosso reflexo, tendencioso à fobia da perda de tempo, se estampa no rosto de cada um. Os construímos assim, exemplificamos diariamente, para que saibam que tudo o que é bom ao próprio ser tem o infame defeito de não gerar lucro algum. Que a morte é um número que só precisa ocupar um dia de luto em nossa agenda. O sofrimento é um detalhe, a economia é divina, que tudo o que se passou não vale a pena ser resgatado, a não ser que se ganhei à hora por esse esforço. Somos esse exemplo.

A gangrena da terra se acumula. A fúria do mundo não perdoa. Ora verruga, ora íngua; e chegamos a infecção. Não somos páreo para as Forças que nos guiam, não importa para quem trabalhamos, o quanto nos pagam, ou para qual prêmio competem. Que venha a febre e o inchaço e, além, a cura. É pois que, senão elas, não há passos que perfurem a necrose.