Uma estranha (qualquer)

Vi o relâmpago esquivar-se de seu destino chuvoso e ir doar ao verde nos olhos dela toda a sua energia elétrica.

Naquele instante, de um trauma veio a terna loucura da paixão. instantânea e irresistível, que como tal ergueu-se de cada ponto recluso de minha retina para me traduzir a mensagem daquela íris de moça.

Vi que os músculos de sua face se recolheram para que sua tez se abrisse em um sorriso como o meu, um sorriso tímido e repentino de quem se encanta com o arremate do olhar.

Que sede de tê-los não tive! Aqueles olhos verdes da menina que me fitava… vontade de vê-los em todas as próximas vezes, de procurá-los, quietos, nessa torrencial Cidade dos Vértices. Vontade de vivê-los, de ceder àquele poço de hera quantos litros de vida fosse necessário.

Quis arrancá-la do desconhecimento, mantê-la sob o cárcere dos meus olhares e aspirar todos os beijos de ar que aquele início de mulher me dedicava.

Como era bela a premissa dos olhos-vitrais… e como extático não foi o segundo em que a vi olhando para trás, se despedindo silenciosamente de mim com todo aquele verde em minha direção. Como não sonhei encontrá-la novamente, mergulhada em sua placidez frugal de menina!

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Posted on 13/05/2013, in Portuguese, Verse. Bookmark the permalink. Leave a comment.

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