O sonho luou

Se puder, quero que cesse tudo
Quero que olhe ao menos uma vez a fumaça do firmamento
Que veja através da inundação do negro as poucas estrelas
E perceba que é noite e que a vida está em todas as direções.
Se não for importuno, quero que pare
Que olhe o restinho de Lua que ainda resiste lá em cima
E perceba que essa Lua vaga vagueia solenemente
Atravessando o enxofre solto do céu.
Mesmo se não for capaz, quero que tente entender
Que o desconsolo dos homens na intentona divina
É, se nada mais, uma outra expressão lunar
Uma mais uma demonstração do belo da Lua
Ela, que vaga sem sair do lugar
Que foge sem tornar-se ausente
Que reaparece todas as tardes para apaziguar o desespero,
O mal de astrônomos,
O transbordamento de semântica

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Posted on 03/06/2013, in Portuguese, Verse. Bookmark the permalink. Leave a comment.

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