Monthly Archives: July 2013

Nightshades on a riverbank

Parte I – Riverthoughts

A name was called when upon the hearsay all shackles tightened;
A stain became hidden when to indulge gallantry the thinking was subdued;
And a crow took flight when on its daily meal it noticed the meaning of our awe.

Parte II – Erva-moura

Um homem reza sem saber o porquê.
Um homem pede paz à sua compreensão.
Um homem se indaga sobre sua satisfação.
Um homem resiste o sifão de seu orgulho.
Um homem repete os erros de seus pais.
Um homem flexiona seus remédios.
Um homem se acalma com a crisálida das canções de outrem.
Um homem, cansado de lutar, se entrega à alegria
(e perde o caminho da felicidade)

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Tradução do que disseram as milhas aéreas

Eu me impus ao oceano.
Estive ao seu encalço como se o uivo com que ele me transpunha fosse mesmo parar além da memória
E fosse, como minha ingênua calma já havia se prestado a soprar, uma unção eterna.
Eu tive que me impor ao oceano
Tive que aprender do seu sal que aquele coro uivante era efêmero,
E que mesmo que não surgisse de corações em una afinação,
Ainda era coro
Ainda era canção

Batalha insone

A personificação austera do silêncio
Ou o ósculo onipotente do desconsolo
A face enegrecida da serenidade
Ou a elegia pênsil da carne humana
A voz gélida do pretérito indubitável
Ou um calmo véu de seda ao primeiro luar
A sonata belíssima e atordoadora
Ou a redenção do olhar amarado
A repentina independência do sorriso
Ou a cadência autóctone do sonho diurno
A vaga clemente da manhã tenra
Ou o relicário para todas as pungências

O sabor da bílis

Tantos aforismos desperdiçados…
Eu só aprendi mesmo depois de ver minha pele queimada.
Quis entender o que era a coragem e paguei por isso:
É preciso cair para saborear o chão

De igual para igual

Um bêbado que sorriu, mesmo sem ter dentes para tanto
Cerrou seus olhos, acentuou ainda mais aquelas centenas de rugas
Levantou o copinho de cachaça e disse algo que, apesar de não ter escutado, penso ser mais ou menos assim:
“Felicidade e fé em Deus!”
E virou o destilado com um inigualável prazer alcoólatra.

Eu continuei minha caminhada pela rua quase deserta e nunca mais o vi,
mas eu tenho certeza que, alguns segundos depois de fitar paralisado o nada a sua frente,
ele deitou a cabeça na mesa e chorou um pranteado seco e sofrido
E pediu mais uma.

Eu sorria levemente aquele dia um sorriso de fina tristeza
pensando comigo mesmo aquela frase batida
“não se fazem mais bêbados como antigamente”.

Frutos do cárcere

Depois de todo esse tempo exposto à lua,
O que mais temo na bruma nevada
é o rosto eterno da mulher amada.

Mesmo que no fim tudo se conclua,
Restará em mim a mancha escarrada
como a gangrena que devora insaciada.

Insonolência

Eu sei que a minha transcrição do som de suas veias não é nada verossímil.
Eu sei que sonhar faz parte de uma das fases mais dolorosas da vida
Eu sei que se ater ao eco moribundo da vaga noturna não anui à redenção que os poetas procuram com tanto afinco.
Eu sei que não existem anti-heróis trágicos, e que simplesmente todos se movem de acordo com a sua visão
E que se entregar à vontade infantil de querer ser alguém melhor é contra-produtivo e, portanto, condenável ao extremo.
Eu sei que não existe o calor da mulher amada sem que haja o vil metal a lhe escorrer pelos dedos finos e ágeis…
Eu sei que todos os homens que se dizem felizes só o são porque aprenderam com o tempo a se conformar amigavelmente.
Eu sei que as mulheres que não aprenderam a inocular veneno acabam morrendo terrivelmente a espera de abrigo
E que amar é ridículo e insensato por causa disso tudo.
Eu sei que quando um sonho cresce, ele realmente se prepara para o expurgo dos delírios que gerara em seu âmbito maldoso.
Eu sei que a perda de tudo é inevitável
Assim como o desespero
Assim como a piedade
Assim como a fragilidade
Assim como o tempo
Assim como a caça às almas concêntricas
Assim como a vida e a morte e o sentido das coisas que não desfrutam de qualquer calmaria, breve ou perene
Assim como…
Assim como a dor

Pensamento fragmentado e não necessariamente lírico

A lei que me governa é a mesma lei que te domina

Mas não se engane; eu não sou como você é.

A submissão é, antes de mais nada, um estado da razão humana. Alguém pode se tornar submisso simplesmente por não se sentir afeiçoado ao pensamento, ou mesmo necessitado dele, por se sentir uno em carne, desejos apaziguados e devassidões paliativas. Alguém pode se tornar escravo por não enxergar que existe sobre ele qualquer domínio. Na verdade, essa é a principal causa da escravidão da mente; o modo mais eficiente de subjugar alguém é dar a ele o que, por meio da manipulação sistemática estipulada pelos sistemas coletivos de funcionamento da economia(a geratriz de tudo) e da sociedade(em consequência à primeira), pensam que querem. Isso significa ceder ao homem a sua liberdade e, ao mesmo tempo, ter total controle sobre essa liberdade cedida.

A publicidade, com seu cínico dizer subjetivo e, entre as formas mais eficazes e assustadoras de controle, o jornalismo aparentemente sóbrio e apartidário são os grandes agentes da destruição da autonomia do pensamento humano.