Monthly Archives: August 2013

Sobre homens e sua casa de contrição

A estrada pulverizada efemeriza a residência
Envolve os imigrantes ao chover tempestuosamente
E neutraliza quaisquer postulações previstas pelos cegos peregrinos.

Quem dança no pó do asfalto
Tem retina suja de fumaça e ferrugem;
Quem corrobora a luta pelas gotas elusivas de matéria
Tem as mãos manchadas de rubro rancor.

O fluxo pulmonar de poeira estrelada
De gases estéricos em bombardeio às escórias
É a reverência de um azo impuro.

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Repto em plágio

Eu sonhava ser um andarilho que percorresse os corações como matas virgens
Mas eu resolvi, no meio do caminho, ser parte da descoberta indiretamente.
Tornei-me um narrador quase que instintivo, tentando atingir(ou recuperar, quem sabe) a onisciência
À medida que me divertia suavemente com cada surpresa docilmente experimentada por outrem.
Eu me deparei com a andança, pois, sem ter que gastar meus pés em solos quaisquer.

Cadente

Uma estrela que caiu deixou aquele gosto de céu preso no azulejo da varanda.
Nenhum outro animal se aproximou até que o homem já havia se verificado no reflexo daquela coisa que brilhava
E dado permissão aos seus pés de se retirarem sem fatalidade
Para aderir seu olfato à condução da aurora que se erguia atrás do telhado de madeira.
(era um lugar frio, afinal, e a casa não estava pronta para abrigar o calor do dia)

O terminal da infância

O terminal da carne acaba por se aquecer
A sensação da têmpora termina em se indispor
E o traço da perna se infinita por onde andou.

O firmamento é a íris do caos
E as nuvens representam
A nossa falta de segurança.

A progênie é o sentido da vitalidade
E a maturidade é a eterna criança
Brincando de tristeza.

Calefação sob metátese

Ebuliam-se na clausura de um lugar gelado
Enquanto um rebuliço arrebatava sua razão.
Talvez fosse a fricção de dois domínios a geratriz da bastante faísca
Ou que sobejaram anuídas reticências a ponto de brasa…
Quem dirá?
Sob a transposição de um mundo inteiro,
Quem terá essa coragem?

Dom José Gaspar (III)

A rua estava cansada de reminiscências.
Ela decidiu que trovejaria um nome do passado
E assustadoramente todas as aves se prostrariam
E todas as cores se estorceriam para ceder passagem
À voragem de sentimentos pênseis.
No entanto…
Os pássaros se ergueram como em canções antigas
E as reticências se intimidaram com o arremate daquele nome
Que surgira das cinzas como em histórias subitamente rememoradas.
Nesse então a rua cedeu, escandalizada
Recolheu suas fragrâncias, compôs uma nova atmosfera
E um novo perfume se dissipou por aquele lugar.

Canoa de asfalto

Vou passeando e pescando o lixo ocidental:
Vou remando e sentindo o cheiro de vida por viver
Vou assistindo o estranhamento que causo com essa coisa louca de sorrir
Vou flutuando e recebendo rimas de quem quer seguir viagem
Vou escrevendo na carne das ruas o meu som de chumbo
Vou serpeando pelas mulheres e seus tons de pobreza
Vou acalmando os loucos com tudo o que eles mais querem ver
Vou sentindo o beijo de cada flor triste, reclusa e belíssima
Vou erguendo a festa dos feios, dos sujos, dos secos e temerosos
Vou amando esse nada completíssimo que é o coração da cidade.